Diversidade genética e saúde do habitat – falando de abelhas.

  Se você tem algum amigo estudante de biologia ou biólogo no facebook provavelmente você já viu algum post relacionado à preservação de abelhas. Preservar as espécies polinizadoras (principalmente as nativas) tem sido um trabalho árduo da comunidade científica, e este esforço deve-se principalmente para que não tenhamos, no futuro, uma redução na produção de alimentos e na biodiversidade tanto da fauna quanto da flora.
  A polinização pode se dar através do vento ou de diversos grupos animais. Todavia, o principal polinizador globalmente é a abelha da espécie Apis mellifera. A espécie A. mellifera é responsável por basicamente um terço do processo de polinização para produção mundial de alimento. Eu desconheço qualquer universidade no Brasil cujo Instituto de Biologia não possua pelo menos um pesquisador na área de polinização. Este é um campo muito promissor dentro da Biologia e que tem intersecção com diversos pontos da zoologia, botânica, ecologia e biologia econômica. Esta área é tão importante que uma pesquisadora da Indiana University (EUA) começou a fazer o link entre polinizadores e microbiologia para entender melhor a saúde das abelhas operárias e rainha.
  Em 2012, Irene L. G. Newton (aqui) mostrou evidências de que “uma maior variabilidade genética entre abelhas de uma colmeia leva a uma maior presença de bactérias probióticas” (bactérias probióticas são aquelas que vivem em mutualismo com um organismo hospedeiro, isso é, são benéficas). A presença destas bactérias pode contribuir para, por exemplo, um melhor processo de ingestão.

Heather R. Marttila & outros
Characterization of the Active Microbiotas Associated with Honey Bees Reveals Healthier and Broader Communities when Colonies are Genetically Diverse. LINK.

Matéria com profª Newton, feita pela Indiana University (ela levanta uma hipótese sobre os efeitos de antibióticos usados na produção alimentícia nesta questão).

UPDATE
  Outro artigo do mesmo grupo de pesquisa mostra a evolução da microbiota intestinal de uma abelha-rainha durante o ciclo de vida. A pesquisa ainda mostra que, na fase adulta, os grupos de bactérias associadas à abelha-rainha são similares aos grupos encontrados nas glândulas hipofaringeais das abelhas-operárias – que alimentam a rainha: diferente do que ocorre em muitos outros animais, as abelhas-rainhas adquirem sua microbiota associada horizontalmente, ou seja, através do meio e de aspectos sociais.
  Para mais detalhes sobre este segundo trabalho:
David R. Tarpy & outros
Development of the Honey Bee Gut Microbiome throughout the Queen-Rearing Process. LINK.
Matéria do site da Indiana University sobre a pesquisa. LINK.
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